Ecologicamente correto

Posted by & filed under .

É, Amigos do Brasil, pode parecer contraditório falar em responsabilidade ambiental às avessas, mas ela existe e deve ser enfrentada!

Você já observou alguns modismos em torno das questões que dizem respeito à preservação do meio ambiente natural? Para ser mais específico, quero, nesta oportunidade, tratar com você acerca de um artífice muito empregado pelo Estado e por alguns empresários. Geralmente, eles, para explorarem legalmente os recursos naturais, têm se valido do manto de uma provável pseudossolução, qual seja, o produto ecologicamente correto – PEC.

Um exemplo disso, dentre inúmeros existentes, seria este: o explorador, público e/ou privado, adentram  numa área preservada com floresta fechada e centenária para extrair uma determinada quantidade de madeira com a condicionante de reflorestar esta área explotada. Posteriormente, a área reflorestada produz uma madeira bem inferior para ser comercializada. Isso ocorre com a chancela de um selinho muito interessante “madeira de área de reflorestamento, isto é, um PEC.

Todavia, eu e você, sabemos que, a reincorporação do meio ambiente natural não resiste à demanda de consumo, nem mesmo quando se trata do PEC.

Aliás, você sabia que uma das principais discussões da pauta da Rio + 20 gira em torno do selo ambiental? A maioria das pessoas não faz ideia do que realmente impulsiona a defesa da efetivação deste selo ambiental. Para aprofundar e conhecer mais este assunto sugiro a leitura desta matéria:

http://www.valor.com.br/rio20/2624454/adocao-de-selo-ambiental-e-polemica

Nesse sentido, o que espero, deste despertar, é que saibamos conceituar o que é produto ecologicamente correto, não teoricamente, e sim espiritualmente, e analisar a relação custo/benefício deste produto em detrimento da gente – enquanto entendidos como parte da natureza.

Finalisticamente, que o PEC, isento de ardis capitalistas, é o objeto natural que recebe a intervenção do homem, de modo sustentável, sem causar dano irreversível à natureza, trazendo o necessário desenvolvimento social.

Portanto, não devemos engolir tudo que nos é apresentado, por mais mascarado que esteja. Assim, independente do rótulo ou do selo, cumpre a mim, também a você, identificar se, realmente, o produto é ecologicamente correto.

Esse é um compromisso de juízo individual ético, que pode e deve ser exercitado por mim e por você. Para isso, devemos ficar mais atentos com o PEC. Por exemplo, saber com qual material este produto foi feito, saber se o consumo deste produto provoca estragos na natureza,  saber se a energia empregada é ou não renovável, e, sem prejuízo de outras indagações, saber  como foi feito.

Também é nosso compromisso –  enquanto naturais que somos –  refletir se devemos consumir o PEC indiscriminadamente, apenas por ele ter este título! Você percebe que quando o Estado e o empresário alinham interesses em torno dos recursos naturais, a saída legal que eles têm, atualmente, é o PEC? Assim, para uma pessoa mais desatenta, pode até parecer que eles agem em harmonia com o ecodesenvolvimento, ledo engano!

Em que pese o PEC harmonizar-se com a proposta da sustentabilidade, isso não o isenta de condicionar-se fundamentalmente às seguintes diretrizes: a) reutilização e reciclagem dos recursos; b) crescimento do emprego de recursos autorrenováveis; c) redução do emprego dos recursos não renováveis; e d) equilíbrio da capacidade de autorreciclagem do meio ambiente.

Ainda, para o bom curso dos nossos diálogos, é interessante que você entenda que defendo o consumo consciente! Para isso, proponho, com a sua licença, o exercício de um juízo ético, conjugando, portanto, o seguinte:  preciso mesmo de um novo carro, de um novo celular ou de uma nova roupa? Se inadiável, que, então, se ocupe em saber quem são os fabricantes que realmente prestigiam os produtos ecologicamente corretos, de verdade!

De tudo isso, postulo, para analisar a procedência subjetiva e objetiva do PEC de forma cidadã, que, juntos, pratiquemos um juízo ético de valor acerca da lisura envolvida no contexto de produção e consumo do PEC, pautados nestas indagações:

Todo produto reciclado é sustentável?

Todo PEC atende mesmo à finalidade do ecodesenvolvimento?

Toda proposta contida no PEC guarda coerência com a reincorporação do meio ambiente natural?

Enfim, tudo que peço a você é que reflita acerca de algumas criações humanas que, num primeiro momento, são positivas, mas depois acabam sendo desvirtuadas.

Fonte da Imagem: http://cotidianonacional.files.wordpress.com/2010/04/selo-verde.png

Comments are closed.