CARAVANA DO BEM

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Recentemente, a ABRA, em uma ação social, integrada pela Clínica da Obesidade, pela Universidade Teodinâmica, pelo Colégio Mendel Vilas, pelo preparatório Grandes Mestres e por outros apoiadores, organizou a arrecadação de mais de 5t de alimentos. Essa doação foi destinada para as comunidades carentes do semiárido baiano na região de Irecê-Bahia, vítimas, também, dos efeitos da seca.

A ação, sob a denominação “Diga Não À Seca de Solidariedade” teve início em junho e foi concluída no dia 11 de agosto, obtendo, para o que se propôs, um resultado muito satisfatório.

A ação contou com vários voluntários e com ótimas ideias. Agora, um pequeno grupo foi para campo e, por isso, sentiu, mais de perto, a realidade das pessoas beneficiadas. Todavia, o trabalho de campo, naquele momento, não permitia que esse grupo chegasse o mais próximo possível do raio x dos elementos que cercam a pobreza dos sertanejos. Hoje, com mais propriedade, pode-se afirmar que são causas que vão muito mais além do que, meramente, as consequências dos efeitos da seca.

Aliás, essa consciência, mais apurada, foi sentida a pouco tempo, nos dias 22 e 23 de setembro, quando parte desse grupo retornou ao povoado de Brejinhos para dar início à Ação de Promoção Social desta comunidade; cuja iniciativa é fruto duma reflexão de como se promover a dignidade humana dessas pessoas, que não precisam apenas de comida; daí o slogan “A gente não quer só comida a gente quer comida diversão e arte” (Titãs). Sem prejuízo de outras informações, que serão prestadas futuramente, a Caravana do Bem consiste em proporcionar um dia de ação social voltado para o atendimento na área de saúde multidiscilplinar e no cuidado estético, em meio ao lazer, à cultura e à arte.

Toda essa ação será viabilizada pelos profissionais voluntários da Clínica da Obesidade, pela SERVDONTO, e pelos voluntários da Ong.

Essa iniciativa é uma continuidade de outra ação social realizada na região do semiárido baiano, qual seja, Diga Não À Seca de Solidariedade, pratique o amor doando alimentos.

Em verdade, o que se espera com essas ações, além de promover um pouco mais de dignidade, com a doação de alimentos e a prestação de serviços sociais, é, numa frente, criar uma abertura com essa comunidade de quilombolas para que se proporcione a sua autossuficiência, futuramente; noutra frente, espera-se com esses objetivos a evolução interna de cada pessoa que se propõe a pensar e agir pelo Outro.

Entretanto, para retomar a abordagem complementar, o fato é que, dessa vez, esse grupo teve uma percepção mais franca da real caridade da qual esse povoado é carente. Isso ocorreu porque além de outros fatores captados no local, eles estavam, também, munidos de um formulário mais trabalhado. O objetivo desse questionário era, inicialmente, o de definir quais seriam as necessidades médicas, ocupacionais e de sustentabilidade, isso para fins de planejamento dos profissionais-voluntários da Clínica da Obesidade.

A constatação que se segue poderá ser um soco na cara de quem se flexibiliza como diamante, mas para os de flexibilidade de vidro frente à verdade, tudo não passará de uma oportunidade de agir mais consciente em prol do Outro.

O fato é que eles não precisam de cestas básicas mais do que precisam duma qualificação mínima para terem uma segunda ocupação, e, mais ainda do que isso, precisam de serem postos frente a novas perspectivas de vida; eles carecem de algo que lhes permita sair da cidadania passiva e partir para a cidadania ativa com o enfrentamento da cidadania às avessas imposta pela politicagem regional.

Essa conclusão não é teórica, não é empírica, ela é conjugação destas duas a serviço do sentimento dum grupo que resolveu assumir um compromisso sério e, sobretudo, racional com o explorado e discriminado povoado de Brejinhos; o sentido desse trabalho conduz os conscientes para o sentir de que Eles têm que saborear o gosto da autossuficiência, para depois, dentro dos seus limites individuais, porém com alguma liberdade segura, saberem se é bom ou não.

Saiba, pois, que os elementos objetivos que nortearam esse sentir foram elaborados para um propósito, como dito acima, mas na verdade desencadeou, positivamente, mais reflexão acerca da correta ajuda que essas pessoas precisam. Basicamente, os elementos que sinalizaram o que foi dito até agora foram: a) a renda mais ou menos revelada da família; b) a ocupação de lavrador comum ao casal, c) a recepção, num primeiro momento, desinteressada deles junto à iniciativa de se levar serviços sociais, d) o interesse em saber se o cadastro pretendia mais algum benefício do Estado; e e) a insuficiência de algumas informações acerca da renda. É bom deixar claro que este pequeno grupo entrevistou mais de 90% das casas desse povoado.

Em que pese essas considerações, foi constatado que, quando provocada, a maioria dessas pessoas se conscientiza acerca de que se tivesse acesso a outras ocupações com certeza a vida seria mais condigna.

Já no que diz respeito à principal renda dessas pessoas, cabe aqui, reforçar o posicionamento da ABRA de que o benefício do bolsa-família é sim uma fonte de sustento que, para aquela realidade, faz-se indispensável, pois não há, ainda, um caminho de volta iluminado, não pelo menos enquanto não for realizado um trabalho sério de porta de saída. Saiba mais acerca do entendimento da ABRA com relação ao Programa Bolsa Família aqui.

Disso tudo, manifesta-se o propósito intuído por esse grupo: a autossuficiência desse povo é o bem comum a ser conquistado, pois essas pessoas não passam fome, resta claro que não lhes falta o mínimo existencial, pelo menos para se alimentar.

É hora, portanto, de retroceder na ação de doação de alimentos, pelo menos por parte da ABRA e de seus parceiros, pois isso o Estado  faz, à sua maneira, mas o faz. Desse modo, encerra-se aqui o direcionamento de esforço da ABRA para arrecadar alimentos, como antes pretendido. A partir de agora, o esforço é no sentido de se buscar a autossuficiência dessas pessoas, talvez um modelo que se estenda, também, para outros povoados, inclusive.

Outra constatação, devidamente registrada no formulário, é de que 98% dos homens e das mulheres desse povoado são de lavradores. Sendo assim, como um lavrador vai produzir para si, para a sua família, para a sua comunidade e para o estado, se a estiagem resiste em secar até mesmo a transpiração dele há mais de um ano? Sobressai-se dessa indagação pelo menos uma conclusão: por ora, a autossuficiência dessas pessoas deve independer de água.

Contudo, essa autossuficiência passará antes pela elevação da dignidade humana deles, que, por mais relativa que esta seja, ainda assim eles precisam parar de ver a sombra refletida na parede da caverna. Eles devem buscar a estrela responsável por isso, e entenderem que fazem parte dela, pois é quase certo que alguns voltarão, enquanto outros vários, cosmicamente, seguirão em frente.

A ABRA, os seus parceiros e seus voluntários agora estão conscientes de que a essas pessoas deve ser doado não o que elas querem, mas sim o que elas precisam.

Feita essas considerações, fica confirmada, neste momento, com a parceria da Clínica da Obesidade, da SERVDONTO e da Universidade Teodinâmica, a Caravana do Bem para o dia 27 de outubro, cuja finalidade é: a) a de promover a ação social do povoado de Brejinhos em Canarana- Bahia; b) promover a dignidade humana deles; e c) lançar o despertar da autossuficiência como porta de saída da realidade atual; e d) promover a transformação social pelo individual.

A Ong e seus parceiros contam com a sua paticipação espirituosa para essa empreitada!

ABRA

 

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