BB e CEF reduzem juros

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De início, a resposta é não! Talvez para os mais desavisados essa política monetária ecoe como uma iniciativa que mereça ser comemorada pelos consumidores e pelos empresários, no entanto, os mais atentos sabem que, de fato, não podem comemorar “o nada”.

Nós, da ABRA, em razão do compromisso assumido com você (cidadão ativo), de despertar sempre que estivermos diante de uma falácia promovida pelo sistema, entendemos que alguns pontos que giram em torno dessa “oitava maravilha” (redução da taxa de juro) devem ser aclarados!

Basicamente, a nossa sugestão é para que você, nesta oportunidade, para não ser ludibriado, permita-se ser concitado a refletir acerca destes aspectos, não meramente econômicos: a) redução na taxa de juros e o ano eleitoral, um liame que causa estranheza; b) moralidade pública, dever funcional ou uma política preocupada com a voracidade dos bancos públicos e privados, a depender, uma resposta equivocada; e c) redução cotejada com a taxa de juro de outros países, realidade distante para a sexta maior economia do mundo.

Porém, antes de adentrarmos nessas reflexões, pensamos que é interessante você saber que o nosso objetivo não é o de provocar uma enquete acerca de quem é contra ou a favor da medida; importa-nos, em princípio, apenas debater com você que não estamos alienados com relação à abusiva taxa de juro praticada no nosso país, e, também, que não acreditamos que fomos agraciados com o que já nos pertence…

Nesse sentido, é proveitoso que você dispense um tempo para refletir se é imoral ou não tal medida ser fruto de uma estratégia eleitoreira para angariar mais votos, com vistas à manutenção de poder. Você não concorda que isso é uma manifestação de como funciona o sistema? De certo, trata-se de mais um fenômeno que requer transformação individual e social da gente para melhor posicionarmo-nos diante das urnas.

Outra observação, você já pensou que, no bojo dessa medida, competia ao governo esclarecer alguns pontos, tais como, primeiro, que não se trata de uma benesse, e segundo, o desenvolvimento econômico-social não devia ser o principal fundamento dessa redução, mas sim, o dever de tentar resgatar, pelo menos lentamente, a moralidade pública em torno das políticas monetárias. Ademais, sabemos que não é de hoje que os freios estatais na voracidade capitalista dos bancos – públicos e privados – há muito estão com as pastilhas gastas!

Nessa perspectiva, podemos mencionar, superficialmente, como está a taxa de juro em outros países, tais como, Alemanha, Canadá, EUA e Japão, nestes a média da taxa de juro está em torno de 1% ao ano. Então, o que você pensa acerca disso? Pois bem, essa é uma realidade muito diferente da taxa de juro básica aplicada no Brasil, cerca de dez vezes mais alta. Podemos concluir, portanto, que o “negócio da china” existe e é promovido aqui mesmo com a chancela do nosso Estado. O fato é que, hoje, somos a sexta economia do mundo, e, talvez, ainda neste decênio, impulsionados pelo agronegócio, sejamos a primeira economia.

O que você conclui disso? Da nossa parte, entre outras coisas, que não mais se justificam os spreads bancários abalizados apenas no risco da inadimplência – bem diminuta hoje – e no depósito compulsório junto ao Banco Central. Cuidado, isso é uma balela!

Criticamente, no que diz respeito à taxa de juro ser um regulador da inflação, assim como que a sua redução causa ao mesmo tempo a inflação e a diminuição dos investimentos externos no país, sabemos que esse mapa não é mais o território. Afinal, não é justo que alguns macroempresários banquem as suas futilidades em Mônaco e em Abu Dhabi às nossas custas, e em detrimento do suor dos trabalhadores, assim como não é moral que alguns gestores públicos não dêem a devida destinação aos recursos públicos.

Pela sua experiência, você já sabe que os tributos esvaem-nos quatro meses de trabalho por ano, agora você sabe quantos meses a taxa de juro esvai-nos a mais? Vamos descobrir que, pelo menos, seis meses do ano de toda a riqueza produzida com nossos esforços são transferidos compulsoriamente para o Estado e para alguns marajás de Mônaco, Abu Dhabi e outras ilhas da fantasia!

Por fim, em que pese a redução da taxa de juros dos bancos públicos está aquém do que realmente suportamos, ainda assim, posicionamo-nos no sentido de que essa iniciativa é necessária. Todavia, deve ser adjetivada pela ressalva de que não é uma benesse, até porque está atrasada, devendo, ainda, sê-la estendida aos bancos privados. É importante que você acompanhe e se manifeste acerca disso!

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